segunda-feira, 6 de outubro de 2008

CUIDADO COM OS CHAVÕES


Todos os segmentos da sociedade possuem os seus chavões, expressões usadas com freqüência e repetidas mecanicamente. No meio evangélico, existem chavões para testemunhos, para orações e até para pregações. A grande pergunta é se tais expressões possuem respaldo bíblico, ou são apenas mais um meio “autorizado” de incutir idéias errôneas na mente dos cristãos, visto que são empregadas por pregadores e cantores.
Infelizmente, muitos líderes não têm primado pelo ensino genuíno das Escrituras, permitindo a proliferação de falsos conceitos entre os crentes desavisados. Tendo em vista que a Bíblia aconselha o cristão a submeter tudo que ouve ao crivo da Palavra “Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a Palavra com toda a avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim.” Atos 17.11 e I Ts 5.21, o objetivo deste artigo é analisar à luz do Texto Sagrado alguns dos mais conhecidos chavões evangélicos.

A QUEM PERTENCE À GLÓRIA
Anjos, arcanjos e querubins estão neste lugar
Usado pelos animadores de auditório, este chavão reflete a má aplicação da Bíblia. Tal expressão, às vezes, tem provocado maior entusiasmo do que a afirmação: “Deus está presente neste lugar”. Ora, a pessoa principal do culto é Jesus, não os anjos. A Bíblia diz que há alegria na presença de Deus (“Tu me farás conhecer a vereda da vida; na tua presença há plenitude de alegria; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” Sl 16.11) e não na dos anjos. Além disso, se Miguel é o único anjo chamado de “o arcanjo”, na Palavra de Deus (Jd 1.9) e (Dn 10.21), como poderia haver arcanjos no meio da Igreja?
Sobre exaltação, culto aos anjos dentro da igreja: “Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos anjos” Cl 2.18a.

"Deus vai operar agora, pois o seu nome é JÁ" Inegavelmente, o Senhor opera milagres durante o culto. Não obstante, as Escrituras não o apresentam com o nome “Já”, no sentido de que a sua operação é sempre imediata. Tal chavão tem origem no Salmo 64.4 “...o seu nome é “JA”, texto cujo real significado é ignorado pela maioria dos pregadores. O nome de Deus é JA (com duas letras maiúsculas) e não “Já” (significando “agora”). JA é abreviatura de JAVEH, nome pessoal de Deus oriundo do tetragrama hebraico YHVH, traduzido para Senhor ou Jeová. Na tradução espanhola de Casiodoro de Reina, o salmo 86.4 diz: “...JAH es su nombre...” Se o nome de Deus fosse “Já” (agora), a palavra seria Ya no espanhol. Na King James Version, tradução inglesa, empregou-se a mesma palavra: “...his name is JAH...” e não “at once” ou “now” (“Já”, em inglês). O equivocado chavão em questão demonstra como, na interpretação bíblica, pequenos detalhes são importantes.

"Eu te agradeço, Senhor, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"
Empregada no fim das orações, essa expressão é imprópria, pois sugere a existência de uma quarta pessoa, acima ou no mesmo nível da Trindade. Alguns pregadores argumentam: “Se o batismo em águas é em nome da Trindade, por que não na oração?”. No batismo em águas, a fórmula de Mt 28.19 “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do espírito Santo;” é dita ao crente pelo ministro. No caso da oração, as palavras são dirigidas diretamente a uma das três pessoas divinas, tornando redundante o agradecimento em nome da Trindade.
Alguém perguntará: - Qual a maneira correta de se dirigir ao Senhor?
É importante esclarecer, a despeito do comentário acima, que a fé e a sinceridade sobrepõem as fórmulas de começo e término de orações. Todavia, não se deve esquecer de que o poder está no precioso nome de Jesus, o qual prometeu: “... Eu vos escolhi a vós... a fim de que tudo quanto em Meu Nome pedirdes ao Pai, Ele vos conceda”. Jo 15.16.

HERESIA E FALSA MODÉSTIA
"Após a oração, o pão será transformado no corpo de Jesus".
Alguns obreiros tem usado essa expressão ou outra semelhante para afirmar que o pão da Ceia, após a oração, transforma-se ou transubstancia-se no corpo de Jesus. Essa idéia é completamente herética, Jesus disse: “Tomai, comei; isto é meu corpo (...) fazei isto em memória de mim”, 1 Co 11.24. Em outras palavras, quando o crente leva o pão (pão mesmo!) à boca, ele deve se lembrar do corpo de Cristo, ferido no Gólgota. Portanto, “Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma desta pão...” 1 Co 11.28.

"Não sou pregador, mas vou falar algumas palavras".
De acordo com Mc 16.15, todos os Cristãos, de alguma forma, são pregadores: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. É claro que há irmãos que receberam um dom especial de Deus para pregar, tal como o Apóstolo Paulo (“para o que digo a verdade, não minto eu fui constituído pregador e apóstolo, mestre dos gentios na fé e na verdade.” 1 Tm 2.7); (“do qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre.” 2 Tm 1.11). Entretanto, nunca se deve usar o chavão em apreço, pois exprime insegurança e despreparo. Nesse caso, o cristão deve atentar para a recomendação do Apóstolo Pedro: “...estai sempre preparados” 1 Pe 3.15.

"Eu não tenho nada para oferecer, mas Deus tem"
Os pregadores “humildes” que usam essa expressão pretendem mostrar que todas as bênçãos vêem de Deus. E isso é verdade (“toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. Tg 1.17). Mas, na pregação, Deus só pode usar quem tem alguma coisa, “...porque da abundância do seu coração fala a boca” Lc 6.45. O pregador que se preza sempre tem algo da parte de Deus para oferecer, como Pedro, que usou o que tinha para levantar um coxo de nascença: (At 3.6).

"É motivo de grande alegria estar neste lugar"
De acordo com o salmista Davi, o Templo do Senhor é um lugar de alegria: “Alegrei-me quando me disseram, vamos à Casa do Senhor” Sl 122.1. O chavão em questão, portanto, não está errado. Contudo, p seu uso, às vezes, parece ser mecânico. Há irmãos que o citam e, logo em seguida, começam a lamentar, relatando problemas ao auditório. É necessário ter cuidado para não dizer palavras mecanicamente sem uma reflexão sobre elas.

Alguns pregadores cometem erro semelhante ao pronunciar Glórias a Deus e Aleluias fora do contexto. Certo pregador, ao discorrer sobre os sinais da vinda de Jesus, disse: “Milhares de pessoas morreram neste século, aleluia, vítimas de terremotos! Glória a Deus!” É importante esclarecer que as palavras de glorificação não são para preencher espaços (tapa furos), tampouco para ser empregadas quando, de fato, se fala algo relacionado à operação de Deus.

"Abra a sua bíblia em primeira crônicas e segundo tessalonicenses"
No Velho Testamento foram escritos livros e não cartas, e no Novo Testamento, cartas e não livros. (Primeira LIVRO de crônicas? Segundo CARTA de Tessalonicenses)? NÃO! Deve-se então, anunciar: Leiamos em primeiro crônicas e segunda tessalonicenses.

CANTORES
"A minha voz não está boa, mas vou cantar pra Jesus"
Ora, o Senhor é digno de receber o melhor: “cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo” Sl 33.3. Se a voz não está boa, deve-se cantar em outra oportunidade. Se o instrumento está desafinado, deve-se primeiro afina-lo. Se o coração está triste, não se deve cantar, mas, sim, orar (Tg 5.13). O Cântico de louvor a Deus precisa ser encarado com muita seriedade, reverência e, sobretudo, com um coração preparado (Sl 57.7).

"Eu vou cantar um hino. Peço que os irmãos fiquem em Espírito de Oração"
Qual seria o real significado dessa expressão? Biblicamente, o Espírito Santo é o Espírito de Oração (Zc 12.10a), que “...intercede com gemidos inexprimíveis” Rm 8.26. Como não existe outro espírito de oração, pergunta-se: Quando alguém canta um hino, deve-se ficar “em Espírito Santo”? Na realidade, o que se deseja é que os irmãos fiquem em atitude de oração. Por conseguinte, deve-se dizer: “Os irmãos permaneçam orando em espírito”.
FUTILIDADES

"Eu vou ler um texto muito conhecido, pois a Bíblia diz que a Palavra de Deus se renova a cada manhã" De fato, a Palavra de Deus continua atual, nova, e os preceitos divinos imutáveis e universais, a despeito das grandes transformações que ora ocorrem no mundo. Entretanto, não há na Bíblia a informação de que ela se renove a cada manhã. Na verdade, o que se encontra: “...as misericórdias do Senhor se renovam...” (Lm 3.22,23)

"Eu não sei por que estou dizendo isto"
Há pregadores que costumam usar este chavão no instante em que falam algo além do que tinham preparado. Mas, se o pregador recebeu, no momento da exposição, uma Palavra específica do Espírito Santo, ele, na verdade, sabe porque está transmitindo tal mensagem aos ouvintes. A expressão correta seria contraposta: “Eu sei por que estou dizendo isso”, pois, se o pregador não souber por que está dizendo algo, é melhor não dizer...

"Saúdo os irmãos com a Paz do Senhor e os amigos com uma boa noite de salvação"
Porque somente os irmãos merecem ser saudados com a Paz do Senhor? Jesus não ensinou um tipo de saudação diferente para cada grupo de pessoas: Lc 10.5,6. No culto, a saudação diferenciada pode fazer o visitante se sentir inferior aos demais. E isso não é bom, pois o ouvinte da Palavra de Deus deve receber um tratamento especial por parte dos crentes. Nesse caso, sugere-se que a saudação seja igual para todos: “Saúdo a todos com a Graça e a Paz do Senhor”. Em tempo, vale salientar, o correto é “SAÚDO”, do verbo saudar, e não “saldo”, como se diz em muitos lugares.

Autor: Pb Ciro Sanches Zibordi - Belenzinho/SP
Informações adicionais e digitação: Pb Márcio Batista - Joinville/SC

2 comentários:

EDILSON VALDECI disse...

A paz de Jesus Pr.Davi,

Estive um pouco ausente pois estava viajando, e não tive tempo de lhe visitar.

Em relação aos chavões, tenho tido um pouco de dificuldades na Igreja em que trabalho para o Senhor, pois existem muitos irmãos que gostam e por falta de conhecimento sempre estão a falar. Mas temos levado a palavra e indicado o seu blog para o devido esclarecimento dos mesmos. Fique com o Senhor Jesus.

Tita "I Love Jesus!" disse...

Caríssimo Pastor, sou a Cintia, aquela que lhe enviou um e-mail sobre os chavões. rss
Muito usados, bastante difundidos, mas nem sempre corretos ou de acordo com a Palavra de Deus.
Precisamos pedir que Deus nos capacite, mas tb devemos buscar entendimento e sabedoria para oferecer a Ele o nosso melhor, e que seja do Seu agrado.
*Como eu lhe disse no e-mail:
Não basta improvisar. Nem recorrer a chavões para esconder a falta de um conhecimento mais profundo.

Abçs fraternos,

Cintia