sábado, 3 de outubro de 2009

O lamento de Jesus


Mt 23:37-39
37 Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!
38 Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta;
39 Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor.


Esse é um dos textos que os Arminianos usam frequentemente para atacar a doutrina bíblica da soberania divina, eleição, reprovação, e assim por diante.
Aqui eles afirmam que “o que Jesus queria não foi realizado porque as pessoas não estavam querendo”.
Supostamente isso mostra que o homem possui um livre arbítrio que pode se opor a vontade divina, de forma que o desejo de Deus pode finalmente ser frustrado e sua graça resistida com sucesso. Mas não é bem assim!

Alguns trechos, na Bíblia, parecem indicar que a vontade de Deus é frustrada. Não podemos entender isso porem, como frustração de sua vontade decretiva.

Por exemplo, compare Mateus 23:37, com Isaías 65:2. Vemos que apesar do desejo de Deus ser o recebimento de Jerusalém em seu seio, o seu plano já previa a pregação e a rejeição por um povo rebelde (Atos 4:27,28 e Atos 2:23).

O povo judeu, e os habitantes de Jerusalém, estando inclusos neste plano, rejeitaram a Cristo VOLUNTARIAMENTE. Sendo assim os planos de Deus não foram frustrados, mas cumpriu-se aquilo que foi determinado por Deus.
Quanto a isso Jó com toda convicção diz: “Bem sei que tudo pode, e nenhum dos seus planos pode ser frustrados”. Jó 42:2

Mas voltando ao texto de Mt 23:37. Aqui “Jerusalém” não se refere à cidade física, ou a toda pessoa considerada individualmente na cidade.
“Jerusalém” é dita ser aquela que “mata os profetas”, e no contexto aqueles que matariam os profetas são os líderes do povo – incluindo os escribas e fariseus.
Eles imitam seus antepassados que “assassinaram os profetas” V 29-32.

No versículo 34, Jesus diz que ele está preste a enviá-los profetas e mestres, e estes líderes iriam maltratá-los assim como os seus antepassados maltrataram os antigos profetas.
Quanto aos filhos no versículo 37, naturalmente eles eram pessoas que viviam sob a autoridade e direito destes líderes.
Lideres religiosos e políticos são algumas vezes chamados de “pais” na escritura (At 7:2; 22:1), e aqueles sobre quem eles exercem poder e influencia são chamados de “filhos” (Mt 12:27).

Então deveríamos compreender que o versículo 37 não pode se referir a disposição ou a fé de indivíduos para aceitar o evangelho, pois de outra forma o versículo deveria dizer: “ eu quis reunir vocês... mas vocês não quiseram”, ou “eu quis reunir seus filhos... mas seus filhos não quiseram”.
Mas o versículo diz: eu quis reunir teus filhos... e vós não quisestes!. Não foram os filhos que resistiram, mas “vós” “vocês” que resistiram para evitar os filhos de serem reunidos.
O versículo, portanto, está se referindo a mesma coisa já mencionada no versículo 13: “...Vós não entrais nem deixais entrar os que estão entrando”

Os arminianos ainda podem querer insistir no texto dizendo que Jesus quis reunir os filhos, e seu querer não foi realizado por impedimento do homem pois o texto diz: “quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos”
Porém o “quis eu” no verso 37 está se referindo ao relacionamento de Jesus com aqueles líderes e o povo deles sobre um nível humano e externo.

Não há nenhuma indicação neste versículo de que o desejo divino ou o decreto divino pode ser resistido com sucesso simplesmente porque alguém “não está querendo”.
A bíblia é clara sobre o ensino de que, se alguém está disposto é porque é porque Deus o tornou disposto (Jo 12:40; Rm 9:18), e se alguém está disposto é porque Deus o tornou disposto (Jo 6:44,65).

Ninguém que Deus torne indisposto pode vir a Cristo, e ninguém que Deus torne disposto pode recuar (Jo 6:37).
Amados, algo maravilhoso nesse texto nos chama atenção, que é a demonstração do amor, cuidado, proteção e misericórdia que é dispensada aqueles que são de Cristo.

Na leitura vemos o lamento de Cristo.
É um choro muito comovente de preocupação misericordiosa, que vem dum coração cheio de amor sincero do Salvador.
É uma figura linda a que o Senhor usa aqui. Cf.Sl.91.1-7. “Observem como age a galinha”. Dificilmente há algum animal que se interessa tanto em seus pequeninos. Ela troca sua voz natural e assume um chamado triste e lamentoso.

Ela procura e cisca na terra, e coage os pintinhos. Sempre que acha algo, não o come, mas o deixa aos pintinhos. Luta e alerta com toda a seriedade contra o gavião, e com muita boa vontade estende suas asas, e permite que seus pintinhos se escondam sob ela ou mesmo subam sobre ela.
É um quadro belo e agradável. Assim também Cristo assumiu uma voz triste, e lamentou por causa de nós e pregou o arrependimento, mostrou de coração a cada um seus pecados e desgraça, abriu as belezas das Escrituras.

Com amor nos persuade a entrarmos e nos permite comermos, e sobre nós estende suas asas com toda sua justiça, mérito e misericórdia, e nos abriga sob si de modo tão terno, aquece-nos com o seu calor, isto é, com seu Santo Espírito.

O cantor Belmiro Braga ,conta que, certa feita, à porta de uma vendinha, na roça, assistiu a uma cena impressionante. Uma tempestade era iminente. Vento forte, céu plúmbeo, poeira densa, tudo anunciava a aproximação da borrasca.
Ao longe, na estrada deserta, vinha uma galinha com sua ninhada. Queria um beiral, um canto onde escondesse a prole numerosa. Sua ansiedade era indisfarçável, mas não podia correr por causa dos passos miúdos dos filhinhos.
Abandoná-los naquela conjuntura seria negar o amor fraterno. A chuva caiu pesadamente antes que ela alcançasse um refúgio. Parou, abriu as asas, cobriu os filhos, fechou os olhos e esperou.
Da venda, alguns camponeses sentiam o drama da galinha, mas preferiram esperar também. Passando a tormenta, os roceiros foram ver de perto a galinha imóvel no meio do caminho. Ela estava morta, mas os filhinhos vivia sob a plumagem quente e amiga.

Jesus lembrou o amor maternal da galinha quando desejou falar aos judeus do seu imenso amor.
O calor, a proteção que os pintinhos têm sob as asas da mãe, o pecador desfruta sob os braços de Cristo, á sombra da sua cruz goza de tais bênçãos em sentido moral e espiritual, o que é muito mais importante.

Em Mt 23:37, na figura descrita, Jesus se coloca entre a cidade ameaçada e os seus inimigos. Isso indica que as asas da Onipotência Divina estão constantemente estendidas em nossa defesa a fim de nos livrar dos perigos que nos cercam.
O abrigo ilustra o mais alto grau da eterna condescendência de Deus para com os homens. Uma árvore pode abrigar o viajante do calor do sol; um escudo pode abrigar o soldado no dia da batalha; mas, só Cristo pode Se interpor entre nós e os perigos que nos cercam.

Cristo é o nosso refúgio, a nossa segurança.
A maior prova de amor e cuidado de Deus para com os homens, foi a morte de seu Filho na cruz: Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. João 15:13.

Louvemos sempre ao nosso Deus por ele ter nos escolhido antes da fundação do mundo. “Bem-aventurado aquele a quem Tu escolhes, e fazes chegar a Ti, para que habite em Teus átrios....” Salmos 65.4
* A eleição-escolha é feita por Deus, e não fica só nisto, uma vez escolhido.... Deus é que faz com que os eleitos cheguem até Ele...
Nele temos a proteção, no mesmo Salmo 65:5 diz: com tremendos feitos nos responde em sua justiça, ó Deus salvador nosso, esperança de todos os confins da terra.
Mas o quadro do ímpio é outro, Infeliz é aquele que não dá ouvido a voz de Deus. Jerusalém rejeitou a Jesus e o resultado desse endurecimento de coração, é descrito nos versículos 38, 39
“Eis que a vossa casa ficará deserta. Declaro-vos, pois, que desde agora, já não me vereis, até que venhas a dizer: Bendito o que vem em nome do senhor”.

Por volta de 70 d.C., Jerusalém seria cercada por exércitos, e uma desolação que sobrepujaria até mesmo a mais horrível imaginação ocorreria dentro de seus muros, sobre suas ruas, e até mesmo no templo.
A oportunidade para os judeus passou. Na segunda vinda de Cristo sobre as nuvens de glória, “todo olho o verá (AP1:7) “Bendito é aquele que vem em nome do Senhor” estará pois, em todos os lábios.
Então em sua gloriosa vinda, os que se arrependerem antes de morrer proclamarão a cristo com plenitude de alegria; os demais lamentarão com ranger de dentes, sem arrependimento.
Majestosa e radiante, porém será a glória de Cristo que todos serão impelidos a tributar-lhe homenagem. “Bendito o que vem em nome do Senhor”

Aquele que sempre nos protegeu e nos preteje debaixo de suas asas tal como a galinha ajunta os seus pintinhos, só que dessa vez seremos recolhidos para estarmos com ele e habitarmos como diz o Ap. Paulo num lugar incomparavelmente melhor.

Enquanto aqui estamos, sejamos fieis e submissos a sua palavra. amém

Um comentário:

Ednaldo disse...

Graça e Paz Rev. Davi,

Descobri o seu blog, é muito bom, sinceramente, é bom ler exposições como esta, pois algumas dúvidas que tinha em relação a esta passagem foram dissipadas. Obrigado por partilhar com o mundo seu conhecimento.

Em Cristo,

Ednaldo.

P.S. o negócio do "parece provocação" foi uma brincadeira, deixei um recado para o sr. no forum me explicando, me perdoe qualquer mal entendido.